Minhas noites são estes traços solitários a que chamas amor
.
Escreves cartas nesses mastros infindáveis que murmuras aos
pássaros do mar . Ouço-os todas a manhãs . Mas tu sabes disso , não é certo ?
Queria fazer-te uma página de questões : “ Como te sabe este
cheiro a fim ? Nossos lábios não eram doces como pétalas de chuva ? “
Este nosso jogo exaustou-nos . Por entre rodopios de danças
é difícil ver teu rosto ; por estas enormes cartas é difícil descortinar-te ,
nestes lagos nocturnos em que nos banhamos
é difícil sentir-te . Tu és
difícil .
Tenta dar-me só uma ponta de compreensão .
Poder-te-ia nomear nesta noite que não tem fim em minha alma
. Uma semelhante á aquela que cortámos
estrelas de cartão e construímos nosso céu .
Escrevo-te dele .
Deste céu baixo , curto , triste e cheio de sonhos perdidos
. Não sei porque nos mantenho neste impasse , porque nos faço crer .
O âmago de nosso amor esta reconfortantemente destinado .
Vou escrever no verso de nossas estrelas um daqueles poemas
que sabem a lágrimas de sal .
Deverei esperar por ti ? Traçada ?