1.3.13


Aperto as palmas das mãos
Na cruz branca da janela
É a tua forma escura

Para lá do vidro ?


Como vêem os que nos perseguem
Com seus vestidos de gala
Ou numa nudez marmórea

E gelada – será isso , será ?


Vêm-nos as suas lembranças
Uma mão amada

Depois num gesto automático

Presa e beijada


Foi-se agora para onde
Para que magma fundido

De ossos e carnes

Num todo Unido ?

Não andes sozinho

Á fria gelada

Virei ter contigo
Nua e ousada


Que os teus dedos finos
Retirem com calma

A carne dos meus ossos
Chegando até á alma . . .

O meu calor ao teu frio

Alimentará

Quando as nossas bocas se unirem

Tudo se  fundirá .

15.12.12


Gostava que meu nome brotasse dos teus lábios .
Naquele jeito meigo que não me engana . E que cruzasses em minhas palmas uma cruz solitária .
Não seles o que não consegues , nem mostres o que não cabe em nenhuma tela .
Mantém-te aí , Imaculado .