18.7.19

Renascer (?)


Pintei o céu negro durante ano após
                                                          ano
para criar esta ilusão da calma melancolia

Cinco anos passados e minha juventude esvazia-se para se tornar o sangue coagulado na tua sala.

O que é feito das minhas células? O que é feito da minha curiosidade?
Existe um Eu?
Estarei aniquilada antes de ter nascido?


Meu amor, não há lugar para luz em ti.
mantive o meu corpo suave para o teu toque
mas os meus lábios adquiriram a espessura ressequida do tempo
e os corpos feridos de ninfas
ficaram sem mares onde repousar.

Sonho-te no meu útero
Sonho-te no suor das minhas palmas
Sonho-te no céu da boca a mostrar-me o quão real a ilusão consegue ser.

Amor negro
                   amor negro
negro amor

Como não me vês?




17.6.16

α





compreendes agora os picos que te atingem
os deuses negam-te o vinho bucólico
sugámos da tua pele
                                  o licor meloso dos dias jovens


existe (numa miragem?)
uma poesia a desfalecer
um Homem que sonho alto
com vampiros e palavras arqueadas
                                         para se jogar na linha de comboio

 porém
       antes de tudo se suceder
       na primavera dos teus dedos
desfiz o meu sangue menstrual


junto ao mar
para que o suor não me julgasse
por uma faca penetrada no meu útero.